Categoria: Opina

  • Dinheiro e criptomoeda

    O dinheiro é uma invenção humana que nos acompanha há muito tempo. Tanto tempo que parece naturalmente humano, assim como o idioma, assim como a roupa.

    O dinheiro foi uma forma muito inteligente de tornar possível trocas em muitos níveis de interesse, entre muitas pessoas. Imagine, por exemplo, uma época anterior ao dinheiro e imagine que alguém tenha feito uma faca de pederneira (porque este alguém é bom em fazer facas de pederneira – já fez várias) e agora, por estar com fome, quer trocar sua faca recém feita, por alimento. Ele encontra alguém para a troca, mas esse outro alguém só tem mel para trocar e nosso fabricante de facas está mais interessado em um pão. Mas, a pessoa que faz pães, já tem uma faca de pederneira, de uma troca anterior! O que fazer? O nosso fabricante de facas faz a troca por mel, na esperança de, depois poder fazer a troca do mel pelo desejado pão. Porém, quando chega para trocar seu mel recém adquirido, pelo pão quentinho, descobre que a pessoa que faz pães, já havia trocado mais cedo, outro pão que fizera por mel e não aceita mais uma troca por mel. Nosso fabricante de facas fica sem o pão e o fabricante de pães não consegue trocar seu produto…

    O dinheiro é inventado

    Mas então, em algum momento da história, se inventou o dinheiro! Algo que representa valor, mas é neutro o suficiente para possibilitar a troca de algo feito ou produzido, por esse ‘valor portátil’. Tudo ficou mais fácil com inúmeras possibilidades de negócios.

    A ideia do dinheiro foi tão boa que, com o passar do tempo, as rudimentares formas de governos do passado, foram substituindo suas cobranças de impostos de produtos agricolas, por dinheiro. As religiões seguem o mesmo caminho e com o tempo os dízimos deixam de ser alimentos e se tornam quantias em dinheiro.

    Um grupo de humanos aqui fazia comércio com outro grupo de humanos alí e outro acolá e mais outro ainda mais distante. Cada grupo desses porém, tinha seu dinheiro próprio. Então surgiram cambios entre esses dinheiros e também bancos para lidar com esse dinheiro. Para cambistas e banqueiros o dinheiro deixa de representar apenas valor que possibilita a troca por produtos e serviços, para se tornar o ‘produto’ e o ‘serviço’ em si.

    Muito bem, esse resumo sem precisão histórica nenhuma, serve apenas para ilustrar como o dinheiro entra em cena, para nunca mais sair.

    Século 21 e uma nova moeda!

    Em em 3 de janeiro de 2009 foi lançado o Bitcoin (bit, significando digito binário – a menor unidade de informação na computação e coin, significando moeda, em inglês). A ideologia foi declarada por Satoshi Nakamoto (pseudonimo de um grupo de uns três caras), que disse: “O problema básico com moedas convencionais é toda a confiança necessária para fazê-las funcionar. O banco central deve ser confiável para não desvalorizar a moeda, mas a história das moedas fiduciárias está cheia de violações dessa confiança.”

    Moedas ‘convencionais’ são as moedas estatais, ou moedas fiduciárias, ou ainda fiat. Esse tipo substituiu o padrão-ouro e é o adotado atualmente pelas nações como seu dinheiro oficial.

    A ideia, grosso modo era que, os governos desvalorizavam o dinheiro por meio da inflação e suas instituições financeiras e a solução seria separar o dinheiro do governo e dos bancos: eis o Bitcoin!

    O Bitcoin vingou, foi adotado e se valorizou tanto que, no atual momento ele está sendo transferido gradualmente de pessoas individuais para Governos e instituições financeiras, alimentando e empoderando quem devia ele devia combater!

    O Bitcoin e a soberania do portador

    Há muito romântico ainda defendendo a ideia de que o Bitcoin traga soberania para o indivíduo, livrando ele do controle do governamental e do institucional financeiro e da perda de capital pela inflação… Ledo engano. A institucionalização do Bitcoin está tão veloz que os governos controlam quase totalmente as informações de posse e transação da criptomoeda. Alguns continuam escapando pelas, cada vez menores, brechas dos meios digitais, sendo que no processo pagam muitas taxas para conversões, transferências, serviços de anonimização, proxys, vpns… Sem contar a flagrante manipulação constante do ‘valor’ do Bitcoin para que esse passe das mãos de indivíduos para as mãos institucionais.

    O Bitcoin (e todas as outras criptomoedas) estão ‘rodando’ numa rede mundial de computadores que têm donos. Todos os serviços vinculados às criptomoedas ‘rodam’ a partir de ‘nuvens computacionais’ que têm donos. Toda a energia elétrica que torna possível esse meio digital funcionar têm donos. E todos esses donos estão famintos por uma suculenta parcela dos criptoativos. Não se iluda.

    Resolveu? Longe disso!

    Além disso, com o auxilio das IAs os governos sabem, com cada vez mais detalhes, como movimentamos nosso dinheiro. Ou seja, se um dinheiro sai de uma conta sua no banco e vai para um ‘anônimo’ que o converte por Bitcoin e envia para um endereço de uma carteira de Bitcoin e o Governo sabe quem é dono dessa conta no banco, o valor envolvido, sabe quem é o ‘anônimo’ e sua conta que recebeu o valor, já está sabendo muita coisa, não? Aliado a isso com sistemas específicos está ‘acompanhando’ as movimentações de carteiras digitais com criptoativos. Isso já é saber muita coisa, não? Além disso os diversos governos no mundo estão trocando informações sobre movimentações de valores de dinheiro convencional e de criptomoedas. Isso também é saber muita coisa, não?

    E por que todo esse empenho dos governos? Porque eles estão famintos por uma suculenta parcela dos criptoativos. Não se iluda.

    Dinheiro estatal e Bitcoin - dois lados da mesma moeda?

    Moeda fiduciária (fiat) e Bitcoin – dois lados da mesma moeda?

    A realidade

    Desde que o dinheiro foi criado ele nunca pertenceu ao portador. Essa é uma ilusão coletiva que aceitamos para poder continuar vivendo e produzindo e consumindo. A realidade é que apenas se ‘permite’ o uso ao portador.

    Mas, com o Bitcoin é diferente, porque ele fica na sua carteira digital…” Será que isso é verdade, ou o Bitcoin e toda a sua infraestrutura ficam fora da suas mãos? Mesmo com a ‘autocustódia’ um Bitcoin nunca sai da blockchain! Nunca. Ninguém é dono de fato.

    Um problema que as criptomoedas produziram é que elas digitalizaram o dinheiro e forneceram essa tecnologia para os governos, que agora têm o poder de saber onde cada centavo transita. Além de o Bitcoin ter se tornado parte do que ele combatia, ele iniciou a capacitação tecnológica para que os governos pudessem fazer os seus dinheiros nacionais virarem CBDCs e terem um controle absoludo sobre os ‘portadores’.

    “O tiro saiu pela culatra” e acertou a todos nós!

  • Propósito

    Propósito. Alguns dizem que não ter um propósito de vida, determinado por um ser divino, tira o motivo de querer viver.

    Mas, o fato é que, não há um propósito de vida determinado por um ser divino. Não há.

    E agora? O que fazer?

    Quando se confrontam com a situação de que esse mítico “propósito de vida” só existe na crença e não na realidade, as pessoas podem ter reações diversas. Para simplificar, vou dividir as pessoas que passam por isso, em 3 grupos.

    1º grupo: Formado por aqueles que podem querer continuar se iludindo e insistir em procurar essa crença em outra interpretação.

    2º grupo: Formado por aqueles outros que vão perceber que não há propósito e decidem algo como ⎯ ‘já que é assim…’ ⎯ viver suas vidas de maneira egoísta e autodestrutiva.

    3º grupo: Formado por aqueles que vão encarar a realidade e decidir como eles próprios poderão atribuir propósito à sua existência. Eu estou nesse terceiro grupo.

    “Estás querendo dizer que o terceiro grupo é ‘o melhor’?” Sim, é isso mesmo que eu quero dizer, até porque as opções dos outros dois grupos, ‘se iludir’ e ‘se autodestruir’, não são boas opções.

    Melhor é se conformar com a realidade e a partir dessa constatação, atribuir, por si próprio, propósito à sua própria vida.

    Propósito de vida

    Propósito de vida

    A palavra propósito, parece ter sua origem etimológica em duas palavras do latim, ‘pro’ e ‘pono’ (ou ‘ponere’) e significa algo como “por à frente”, ou seja, algo que precisa ser planejado para depois ser alcançado.

    Então, atribuir, por si próprio, propósito à sua própria vida, faz sentido até na acepção básica da palavra ‘propósito’, assim como o fato de apenas o indivíduo poder viver sua própria vida.

    E visto que é algo pessoal, nos resta assumir, planejar e agir.

    Do meu ponto de vista, faz muito sentido que a própria pessoa planeje seus objetivos de vida e depois tente alcançá-los, vivendo.

    De facto, factível.

  • Já desanimei algumas vezes

    A miséria já existe pra quem não está no grupo dos bem-sucedidos. Mas, mesmo entre os que estão no topo, a miséria se faz presente.

    Não, não vou tratar sobre conflitos de classes e capital.

    Para muitos a miséria se resume à escassez de dinheiro, mas é muito mais do que isso. A miséria está drenando o planeta. Vidas, espécies e ambientes sendo sistematicamente destruídos.

    Quem está no poder, não sairá por vontade própria dessa posição. Nem o comunismo, nem o capitalismo vão resolver isso.

    Recursos, poderes, sistemas, hierarquias, culturas, normas, leis, governos, taxas, crenças, e muitos outros recursos foram desenvolvidos ao longo de séculos e intensificados nas últimas décadas e tornado indeléveis nos últimos anos, para que as coisas continuem como são e como estão.

    Já desanimei algumas vezes

    Será que estamos além de alternativas? Já estamos além de qualquer ponto de retorno? Será que já estamos além do ponto de inflexão, onde, a partir do qual não é mais possível corrigir? Parece que sim.

    Mas, podemos criar uma alternativa totalmente nova? Podemos.

    Já desanimei algumas vezes - eloir.aotoe.com

    Mas então, por que eu não estou eufórico?

    Esse processo seria algo muito difícil e demorado…

    Vamos, enquanto humanos, fazer isso? Fazer as mudanças necessárias? Acredito que não.

    E isso me deixa muito frustrado! Imaginar que não viverei para ver condições melhores. Conceber que não há esperança. Perceber que o futuro do planeta está ameaçado e provavelmente será consumado. Saber disso é uma grande dor!

    Estou sendo realista, mas entendo que essa linha conduz ao pessimismo. Precisamos enxergar o que acontece e não acrescentar filtros de falsidade, dando a entender que a coisa toda não está tão ruim.

    Tenho que externar esses assuntos para, pelo menos, ter a impressão de estar falando com alguém.

    Fundamental é estar livre das crenças religiosas e das ideologias políticas. Essas entorpecem e inebriam.

    Já desanimei algumas vezes, mas ainda estou tentando encontrar uma saída.

  • Pessoas que pensem como eu e que queiram fazer algo

    Se você se preocupa com a humanidade, com as outras formas de vida deste planeta e com o meio ambiente, talvez esse assunto lhe interesse.

    Quando somos jovens, em geral, temos expectativas otimistas quanto ao futuro. Imaginamos que quaisquer problemas serão resolvidos e que poderemos usufruir uma vida boa, ter um ótimo trabalho e conhecer o mundo ao lado de pessoas agradáveis.

    Então, poucas décadas depois, alguns de nós começam a perceber que a perspectiva futura pode não ser tão boa assim e que nosso tempo de vida é muito curto e que provavelmente não veremos realizados nossos anseios.

    Mas, isso apenas se você se preocupa com a humanidade, com as outras formas de vida deste planeta e com o meio ambiente. Por outro lado, se você tem fortes convicções políticas, talvez você ache que as coisas não estão melhores porque o outro espectro político está no poder e está atrapalhando. Ou talvez você tenha fortes convicções religiosas e acredite que tudo faz parte dum desígnio do propósito divino e que no devido tempo tudo se resolverá. Ou talvez você esteja preocupado apenas com posses financeiras e materiais e em ‘se dar bem na vida’ e fará o que puder pra isso acontecer pra você e por você.

    Se você se enquadra em um desses três grupos: os políticos, os religiosos e os hedonistas/materialistas, o que eu vou falar a seguir não é para você.

    Ainda por aqui?

    E se você continuou aqui, uma palavra de alerta: ser realista não é ser pessimista. É importante fazer essa distinção, visto que o objetivo aqui não é o pessimismo, mas realisticamente desenvolver estratégias para realizar o que for possível.

    Eu vou tentar ser preciso no uso das palavras, mas devemos lembrar que muitas palavras significam muitas coisas, portanto tente entender o contexto do que estou falando.

    Já desanimei algumas vezes no passado, mas neste momento sinto que devo fazer algo. Essa conversa é parte do que eu acho que devo fazer… Eu preciso encontrar outras pessoas que pensem como eu e que queiram fazer algo. Sem política, nem religião e tampouco egoísmo.

    Se você desanimou na jornada, vou tentar te reanimar. Em outro momento talvez seja eu que precise da sua ajuda.

    Eu preciso encontrar outras pessoas que pensem como eu e que queiram fazer algo.

    Voltando ao que pode ser feito quanto a humanidade, vou ilustrar com uma simples comparação: por que uma ginasta treina tanto? Por que um violinista treina tantas horas? Por que artistas fazem esboços e estudos? Porque além de potencial, habilidades e talentos esses profissionais querem atingir o seu melhor!

    Pessoas que pensem como eu e que queiram fazer algo

    Enquanto grupo, nós humanos não atingimos o nosso melhor. Há evidências de que temos um enorme potencial, muitas habilidades e muitos talentos, no entanto ficamos muito aquém do que podemos atingir. Os motivos que nos desviam de atingirmos nosso melhor são alguns, mas eu não quero me ater a isso agora. Quero focar no que podemos fazer e atingir. Enquanto humanos temos recursos, ou seja, a base para imaginar que podemos fazer melhor. Pelo menos eu penso isso. Você concorda?

    Penso que, podemos viver muito melhor do que vivemos atualmente.

    Penso que podemos dispor de muito mais tempo do que dispomos atualmente.

    Conhecimentos e recursos para isso já existem, mas não se convertem em viver melhor e ter mais tempo. Pelo contrário, as pessoas são conduzidas a serem escravas alforriadas dum enorme sistema e a perderem tempo em tarefas inúteis, burocracias tolas e atividades inertes.

    Achou interessante, mas um tanto vago? Isso é apenas uma breve apresentação, uma introdução.

  • Nosso planeta é um lugar especial

    Nosso planeta é um lugar especial. A foto abaixo é uma mostra de que é possível viver com qualidade e conforto sem destruir o ecossistema, o meio ambiente, recursos e belezas naturais.

    Nosso planeta é um lugar especial - eloir.aotoe.com

    Perceba que o lugar retratado não é completamente natural. Ao fundo vemos cercas com arames, um gramado foi plantado, construiram uma plataforma de tábuas e as próprias hortências foram plantada ali (para tirar a foto eu me posicionei sobre uma ponte).

    Nós vemos que ele já foi adaptado por humanos para se tornar um lugar útil numa propriedade, ele não é mais natural, porém está integrado na natureza.

    Lembre que ao longo do tempo esse era um objetivo comum das moradias humanas de qualidade: serem integradas a paisagem natural.

    Perceba também que nessa área não está apinhada de moradias, coladas umas as outras, sem ventilação, sem árvores e espaços verdes, como é o mais comum nas cidades atuais.

    Nosso planeta é um lugar especial

    Entretanto, precisamos cuidar melhor do nosso lar, a Terra, afinal esse é um lugar impar e lindo!

    Faça um exercício mental e lembre-se que muitos lugares já foram severamente degradados. Muitas espécies estão ameaçadas de extinção. Ecossistemas inteiros já estão debilitados e muito pouco está sendo feito para reverter essa situação.

    É possível

    Podemos viver e preservar o ambiente. Podemos fazer algo para melhorar essa situação. É possível, ainda.

    • Nota: este conteúdo foi migrado de um blog anterior e republicado aqui. Meus textos antigos são muito curtos e basicamente não chegam a lugar algum.
      Mesmo assim, fizeram parte do que eu fui construindo mentalmente ao longo do tempo e por fim levou ao projeto Aotoe.